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CASO Nº0089 Lenda Local

O Piano da Escola Antiga de Tomar

Num edifício escolar desativado nos arredores de Tomar, encerrado ao ensino desde a reorganização da rede escolar do concelho em 2011 e hoje aguardando decisão sobre o seu futuro por parte da autarquia, permanece um piano vertical de grande porte na antiga sala de música, deixado para trás durante o processo de desmantelamento do restante mobiliário escolar, e que ex-alunos e funcionários que visitaram ocasionalmente o edifício desde então associam a uma reputação persistente de tocar sozinho, sobretudo notas isoladas e dissonantes, sem qualquer explicação física aparente.

A professora de música responsável pela sala durante os últimos anos de funcionamento da escola, contactada para este artigo, confirma ter vivenciado pessoalmente o fenómeno em pelo menos duas ocasiões ainda durante o período de atividade letiva normal do edifício, sempre em momentos de final de dia, com a sala já vazia de alunos, descrevendo o som como notas isoladas e claramente audíveis, distintas do ruído ambiente típico de um edifício antigo, e suficientemente perturbadoras para que evitasse permanecer sozinha na sala depois do final das aulas nos últimos meses antes do encerramento definitivo da escola.

Técnicos de manutenção que inspecionaram o instrumento antes do encerramento definitivo do edifício confirmaram que o piano, apesar da idade considerável, mantinha mecanismo interno funcional o suficiente para produzir som através de vibração ou impacto externo, uma possibilidade que aponta para explicações convencionais como assentamento estrutural do edifício antigo, gerando vibrações capazes de fazer soar cordas específicas do instrumento sem qualquer intervenção externa, um fenómeno tecnicamente possível embora relativamente raro em pianos verticais bem mantidos.

O edifício, atualmente devoluto e com acesso restrito por razões de segurança estrutural, continua ocasionalmente a ser visitado, sem autorização formal, por antigos alunos nostálgicos e por pequenos grupos de exploração urbana, alguns dos quais reportam ter também ouvido o piano, ainda que nenhuma destas visitas informais tenha produzido qualquer registo em vídeo ou áudio suficientemente claro para análise técnica independente, uma lacuna que os interessados no caso lamentam mas compreendem, dado o carácter não autorizado das próprias visitas.

A autarquia de Tomar não tem, até à data, qualquer decisão definitiva sobre o futuro do edifício, que permanece um dos pontos de interesse mais discutidos dentro da pequena comunidade local de curiosos por fenómenos paranormais associados a espaços escolares abandonados, uma categoria de locais que se tem tornado cada vez mais comum em Portugal à medida que a reorganização da rede escolar continua a encerrar estabelecimentos mais antigos por todo o país.
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