A psicometria, prática mediúnica em que um praticante alega conseguir obter informação sobre a história ou o proprietário de um objeto através do simples contacto físico com o mesmo, distingue-se de outras formas de mediunidade já abordadas nesta categoria por não depender de estado de transe profundo, sendo geralmente praticada num estado de consciência plena, com o praticante a descrever impressões, imagens ou sensações que associa ao objeto segurado, geralmente de olhos fechados para reduzir distrações sensoriais externas.
O termo foi cunhado em 1842 pelo médico americano Joseph Rodes Buchanan, que conduziu as primeiras investigações sistemáticas sobre o fenómeno, testando a capacidade de indivíduos identificarem propriedades de substâncias químicas seladas em recipientes apenas através do contacto manual, um trabalho pioneiro que, apesar de metodologicamente limitado segundo padrões científicos contemporâneos, estabeleceu o vocabulário e o enquadramento conceptual que a prática mantém até aos dias de hoje, mais de cento e oitenta anos depois.
Praticantes contemporâneos portugueses de psicometria são frequentemente procurados em contextos de investigação de casos pessoais, sobretudo relacionados com objetos de familiares falecidos ou pertences com histórico emocional significativo, com o praticante a segurar o objeto e a partilhar verbalmente as impressões recebidas, que o dono do objeto pode depois confirmar ou negar como correspondendo, ou não, a informação real que já conhecia sobre a história do objeto em questão.
Do ponto de vista cético, a psicometria é particularmente vulnerável à técnica de leitura fria já discutida noutros artigos desta categoria, uma vez que o praticante frequentemente tem acesso a pistas contextuais relevantes — a idade aparente e o estilo do objeto, o contexto emocional evidente da pessoa que o traz para análise, e mesmo reações subtis não-verbais durante a leitura que podem guiar inconscientemente a direção das impressões partilhadas, tornando particularmente difícil isolar cientificamente qualquer componente genuinamente extrassensorial do processo, caso exista.
Ainda assim, a prática mantém-se popular dentro dos círculos portugueses de espiritualidade contemporânea, frequentemente oferecida em conjunto com outras práticas mediúnicas em consultas privadas ou em eventos como a Feira Esotérica do Porto já referida noutro artigo desta secção, continuando a atrair interesse genuíno de quem procura uma ligação mais tangível, através de objetos físicos concretos, com memórias e pessoas ausentes.
CASO Nº0082
Não Resolvido
Psicometria: Ler Objetos Através do Tato
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