Numa casa devoluta há mais de trinta anos nos arredores de Sintra, cuja propriedade permanece em disputa legal entre herdeiros distantes da família original, exploradores urbanos que visitam regularmente o edifício abandonado documentaram fotograficamente, ao longo dos últimos cinco anos, uma boneca de porcelana antiga que permanece sentada na mesma posição, numa cadeira junto à janela do que terá sido o quarto de uma criança, apesar de o resto da divisão ter sido progressivamente saqueado e vandalizado por sucessivas visitas não autorizadas.
O que gerou maior interesse dentro da comunidade portuguesa de exploração urbana e investigação paranormal foi a constatação, através da comparação cuidadosa de fotografias tiradas por diferentes visitantes ao longo dos anos, de que a posição exata da boneca parece ter mudado ligeiramente em pelo menos três ocasiões distintas — não removida do local, mas rodada em ângulos diferentes face à janela, sem que exista qualquer relato de visitantes terem manipulado deliberadamente o objeto, algo que a generalidade dos exploradores urbanos evita ativamente por respeito e também por superstição, precisamente devido à reputação que o objeto já foi acumulando ao longo dos anos.
Vários visitantes relatam também, de forma consistente mas independente entre si, uma sensação súbita de desconforto ao entrar especificamente naquela divisão, distinta do desconforto geral associado à exploração de edifícios abandonados, e pelo menos dois relatam ter ouvido, durante visitas separadas por vários meses, um som semelhante a uma pequena caixa de música a tocar, apesar de nenhuma caixa de música ter sido encontrada ou fotografada no local ao longo de todas as visitas documentadas.
Psicólogos que estudam a perceção humana em contextos de exploração urbana apontam que bonecas antigas, sobretudo de porcelana com feições realistas mas ligeiramente desatualizadas segundo padrões estéticos contemporâneos, ativam consistentemente uma resposta psicológica conhecida como "vale da estranheza" — o desconforto gerado por representações quase, mas não completamente, humanas — que pode facilmente ser interpretada como sensação de presença sobrenatural mesmo sem qualquer fenómeno paranormal genuíno associado.
A casa permanece devoluta e sem previsão de intervenção legal que resolva a disputa de herança, mantendo a boneca e o mistério em torno dela como um dos pontos de interesse mais discutidos dentro da comunidade portuguesa de exploração urbana.
CASO Nº0068
Não Resolvido
A Boneca da Casa Abandonada de Sintra
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