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CASO Nº0064 Não Resolvido

Os Dólmens de Évora e o Silêncio que Intriga Visitantes

O Cromeleque dos Almendres, situado a poucos quilómetros de Évora e datado de cerca de 6000 a.C., é um dos mais importantes conjuntos megalíticos da Europa e um dos monumentos pré-históricos mais visitados de Portugal — mas é também, segundo relatos recorrentes de visitantes e guias locais ao longo de várias décadas, um local associado a uma sensação incomum de silêncio absoluto, descrita repetidamente como "antinatural" mesmo em dias de vento moderado, quando seria expectável ouvir-se pelo menos o som do vento a passar entre as pedras.

Guias que trabalham regularmente no acompanhamento de visitas ao local relatam que este fenómeno de silêncio incomum é mencionado espontaneamente por visitantes com uma frequência que consideram estatisticamente notável, sem qualquer indução prévia por parte dos próprios guias, que evitam deliberadamente mencionar o fenómeno antes de os visitantes o experienciarem por si próprios, precisamente para evitar viés de sugestão nas descrições posteriormente recolhidas.

Acústicos que estudaram formações megalíticas semelhantes por toda a Europa apontam que a disposição específica de grandes blocos de pedra em formações circulares ou elípticas, como é o caso do Cromeleque dos Almendres, pode efetivamente criar efeitos acústicos incomuns, incluindo absorção sonora seletiva de determinadas frequências e criação de zonas de sombra acústica onde o som ambiente é significativamente atenuado — um fenómeno documentado em estruturas megalíticas comparáveis, como Stonehenge, em Inglaterra, onde estudos acústicos formais já confirmaram propriedades sonoras incomuns associadas à disposição específica das pedras.

Esta explicação acústica convencional é considerada satisfatória pela generalidade dos investigadores que estudaram formalmente o fenómeno, ainda que não elimine o fascínio popular pela experiência subjetiva de quem visita o local, sobretudo porque a construção destas estruturas milenares, há mais de oito mil anos, sem qualquer conhecimento científico formal de acústica, levanta questões genuinamente interessantes sobre até que ponto estas propriedades sonoras terão sido intencionais por parte dos seus construtores originais, uma questão que a arqueoacústica, disciplina relativamente recente, continua a explorar.

O Cromeleque dos Almendres continua classificado como Monumento Nacional e é hoje gerido com particular cuidado de conservação, sendo um dos exemplos mais bem preservados de arte megalítica europeia, independentemente de qualquer interpretação paranormal associada ao seu silêncio característico.
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