Ricardo Fonseca, jornalista de investigação com uma longa trajetória de reportagens céticas sobre práticas esotéricas, aceitou em 2023 participar como voluntário num teste informal de clarividência conduzido por uma vidente profissional a convite de uma revista portuguesa, com o objetivo explícito de demonstrar, segundo as suas próprias palavras antes do teste, "como estas práticas se baseiam inteiramente em técnicas de leitura fria e generalização vaga".
O protocolo do teste, desenhado com input do próprio Ricardo para garantir rigor mínimo, envolvia a vidente descrever, sem qualquer informação prévia sobre o voluntário para além do nome próprio, detalhes específicos sobre a vida pessoal e profissional de Ricardo que pudessem ser posteriormente verificados como corretos ou incorretos de forma objetiva, evitando deliberadamente afirmações suficientemente vagas para se aplicarem a qualquer pessoa — a técnica de "leitura fria" que Ricardo pretendia expor.
Ao longo da sessão, gravada integralmente para a reportagem, a vidente fez catorze afirmações específicas e verificáveis, das quais Ricardo confirmou publicamente, já depois de analisar cuidadosamente cada uma, que nove correspondiam a factos corretos sobre a sua vida — incluindo o nome de um animal de estimação da infância, já falecido há mais de vinte anos, e uma cicatriz específica numa perna esquerda com origem num acidente pouco divulgado publicamente — uma taxa de acerto que o próprio Ricardo reconheceu, na reportagem final publicada, ser "desconfortavelmente superior ao que esperava antes do teste".
Estatisticamente, especialistas em metodologia consultados posteriormente pela mesma revista apontam que, mesmo com um protocolo cuidadosamente desenhado, é extremamente difícil eliminar por completo pistas subtis não-verbais que um comunicador experiente pode captar inconscientemente de um voluntário durante a interação, um fenómeno estudado sob o nome de "leitura corporal" e distinto tanto da fraude consciente como de qualquer capacidade genuinamente extrassensorial, complicando significativamente a interpretação de resultados como o de Ricardo Fonseca.
Ricardo, que manteve genuína postura cética mesmo depois do teste, reconheceu publicamente não ter uma explicação completamente satisfatória para o resultado obtido, sem que isso o tenha levado a abandonar a sua postura cética geral face à generalidade das práticas de vidência, um caso que continua a ser citado como exemplo de como resultados individuais surpreendentes nem sempre são suficientes para alterar posições epistemológicas mais amplas e bem fundamentadas.
CASO Nº0062
Confirmado
Clarividência: o Teste que um Cético Não Esperava Perder
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