Na tarde de 12 de junho de 2021, vários residentes de uma zona residencial de Setúbal relataram um fenómeno pouco comum mas cientificamente documentado em várias partes do mundo: uma chuva de pequenos peixes, na sua maioria sardinhas juvenis, caída sobre quintais e ruas durante um curto período de forte instabilidade atmosférica, coincidindo com a passagem de uma célula de trovoada isolada sobre a área.
O fenómeno, apesar de surpreendente para quem o testemunha pela primeira vez, tem uma explicação meteorológica bem estabelecida pela ciência desde o século XIX: trombas de água, versões marítimas dos tornados, formam-se ocasionalmente sobre superfícies de água quando existe instabilidade atmosférica suficiente, e podem, em casos específicos, sugar pequenos organismos aquáticos da superfície do mar juntamente com a coluna de água ascendente, transportando-os por vezes vários quilómetros antes de os depositar de volta ao solo quando a tromba perde força ou se dissipa.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera confirmou, na altura, a existência de condições atmosféricas compatíveis com a formação de uma pequena tromba de água ao largo da costa de Setúbal na hora aproximada em que o fenómeno foi reportado, embora sem confirmação visual direta da tromba em si, uma vez que estes fenómenos de curta duração e escala reduzida frequentemente não são captados por radar meteorológico convencional, sobretudo quando ocorrem sobre zonas costeiras com relevo variável.
Casos de chuva de peixes estão documentados em Portugal pelo menos desde o século XIX, com registos históricos esparsos em jornais regionais de zonas costeiras, e são um fenómeno relativamente bem estudado a nível mundial, com Honduras a ser talvez o exemplo mais célebre, onde o fenómeno é suficientemente recorrente para ter dado origem a um festival local anual, o "Lluvia de Peces", que celebra o que a comunidade científica atribui a um padrão meteorológico sazonal específico da região.
O caso de Setúbal, apesar de gerar surpresa considerável nos moradores da zona e cobertura nos meios de comunicação regionais na altura, está hoje bem enquadrado dentro da explicação científica convencional para este tipo de fenómeno, sendo classificado no arquivo do Portugal Paranormal como um caso confirmado precisamente pela solidez da explicação meteorológica disponível, distinto de outros "fenómenos inexplicáveis" desta categoria para os quais não existe ainda uma explicação científica satisfatória.
CASO Nº0044
Confirmado
A Chuva de Peixes em Setúbal
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