Desde os quatro anos de idade que o filho de Cristina, uma família do Porto, surpreende os pais com afirmações que se revelam corretas antes de qualquer acontecimento ter lugar — desde pequenos detalhes do quotidiano, como anunciar corretamente quem vai telefonar minutos antes de o telefone tocar, até episódios mais marcantes, como ter alertado a mãe, três dias antes, de que "o avô ia ficar maluquinho e não ia conseguir falar", uma descrição que Cristina inicialmente não levou a sério até o próprio pai sofrer um AVC exatamente três dias depois, com sintomas de afasia compatíveis com a descrição dada pela criança.
Cristina começou a registar sistematicamente estas afirmações num caderno a partir do momento em que percebeu o padrão, depois do episódio do avô, documentando data, conteúdo exato da afirmação da criança e o desfecho posterior sempre que aplicável. Ao longo de cerca de dois anos de registo, contabiliza catorze episódios que considera terem-se revelado corretos de forma que considera estatisticamente improvável de ser mera coincidência, face a um número não determinado de afirmações que nunca se confirmaram e que, por não terem acontecido, não ficaram registadas com o mesmo destaque.
Este viés de registo seletivo — a tendência natural para memorizar e documentar os acertos, esquecendo os erros — é precisamente o argumento mais forte apontado por psicólogos que estudam fenómenos de premonição infantil relatados por pais, que sublinham que sem um registo prospetivo rigoroso, incluindo todas as afirmações feitas independentemente do resultado, é estatisticamente impossível determinar se a taxa de acerto ultrapassa o que seria esperado pelo acaso, sobretudo considerando a enorme quantidade de afirmações espontâneas que uma criança pequena produz diariamente.
Ainda assim, investigadores de parapsicologia que analisaram casos semelhantes apontam que alguns episódios de premonição infantil relatados na literatura científica envolvem detalhes suficientemente específicos e verificáveis independentemente — como neste caso, o diagnóstico médico exato do avô — para justificarem, no mínimo, um interesse de investigação sério, distinto de fenómenos mais vagos e facilmente explicáveis por coincidência estatística generalizada.
A família de Cristina não procurou qualquer tipo de exploração pública do caso, preferindo manter o registo como um assunto privado, e só aceitou partilhá-lo com o Portugal Paranormal sob condição de anonimato total da criança, atualmente com seis anos, cujas afirmações deste género se tornaram, segundo a mãe, "cada vez mais raras à medida que cresce", um padrão que, curiosamente, é também relatado noutros casos semelhantes documentados na literatura sobre premonições em crianças pequenas.
CASO Nº0041
Confirmado
O Menino que Sabia o que Ia Acontecer
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