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CASO Nº0040 Não Resolvido

Uma Sessão de Psicografia em Coimbra

A psicografia, prática mediúnica em que um médium escreve mensagens supostamente ditadas por espíritos de pessoas falecidas, tem em Portugal uma tradição relativamente discreta quando comparada com o Brasil, onde a doutrina espírita codificada por Allan Kardec no século XIX tem uma presença social e mediática muito mais visível. Ainda assim, existem em Portugal vários centros espíritas ativos, sobretudo nas grandes cidades, onde a prática continua a ser regularmente exercida.

Assistimos recentemente, a convite de um centro espírita de Coimbra que preferiu não ser identificado publicamente, a uma sessão de psicografia realizada por um médium com mais de vinte anos de prática. A sessão seguiu um protocolo relativamente padronizado dentro da tradição espírita: um período inicial de recolhimento e oração coletiva, seguido pela entrada do médium num estado alterado de consciência, geralmente descrito pelos praticantes como uma espécie de relaxamento profundo em que a "consciência se afasta" para permitir a escrita automática.

Ao longo de cerca de vinte minutos, o médium produziu três páginas de texto manuscrito, num estilo caligráfico visivelmente distinto da sua escrita habitual, segundo confirmaram outros membros do centro presentes na sessão. O conteúdo, dirigido a um familiar de um dos participantes presentes, continha referências a memórias específicas que o participante confirmou corresponderem a factos reais sobre o familiar falecido, incluindo um apelido de infância que, segundo garantiu, nunca tinha partilhado publicamente nem com outros membros do centro.

Psicólogos e neurologistas que estudam fenómenos de escrita automática apontam o conceito de "criptomnésia" como explicação alternativa mais provável — a recuperação inconsciente de informação previamente esquecida pelo próprio médium, obtida em algum momento anterior através de conversa casual ou observação, sem que o médium tenha consciência dessa origem. Esta explicação, ainda que plausível em muitos casos, é considerada insuficiente por praticantes espíritas para explicar casos em que a informação transmitida é posteriormente verificada como completamente desconhecida de qualquer pessoa presente na sessão.

A prática da psicografia mantém-se, independentemente do debate científico em torno da sua validade, como uma das formas mais procuradas de mediunidade em Portugal, praticada com seriedade e protocolo relativamente rigoroso pelos centros espíritas mais estabelecidos, que insistem sempre na distinção entre a prática séria, associada a décadas de doutrina codificada, e a exploração comercial da mediunidade por terceiros sem qualquer enquadramento formal.
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