Em setembro de 1987, um agricultor de Miranda do Douro, então com 34 anos e identificado apenas pelas iniciais A.C. a pedido próprio, terá vivido aquele que é considerado um dos relatos de abdução alienígena mais detalhados já documentados em Portugal, segundo associações de ufologia nacionais que investigaram o caso ao longo das duas décadas seguintes.
Segundo o relato, A.C. regressava a casa a pé depois de um serão em casa de familiares, por volta das 23h30, quando terá avistado uma luz intensa a descer sobre um campo próximo. As memórias seguintes são fragmentadas: recorda ter sido envolvido por uma luz branca muito forte, seguida de uma perda de consciência, e o regresso à lucidez já no mesmo local, com a sensação de terem passado apenas alguns minutos — mas com o relógio a indicar mais de duas horas de diferença face ao momento em que se lembra de ter visto a luz, um fenómeno conhecido na literatura ufológica internacional como "tempo perdido" (missing time).
Nas semanas seguintes, A.C. procurou ajuda médica devido a queixas persistentes de dores de cabeça e duas pequenas marcas simétricas na zona lombar, sem explicação médica convencional aparente. Foi mais tarde submetido, já com apoio de uma associação de investigação ufológica, a sessões de hipnose regressiva conduzidas por um psicólogo com formação específica nesta técnica, através das quais terá recordado detalhes adicionais: uma sala com luz difusa, figuras de estatura reduzida e olhos grandes e escuros, e a sensação de estar a ser examinado, sem qualquer comunicação verbal percebida durante o processo.
A hipnose regressiva como método de recuperação de memórias é hoje amplamente contestada pela comunidade científica, que aponta o risco significativo de criação de falsas memórias através do próprio processo de sugestão hipnótica, um problema documentado extensivamente pela psicologia cognitiva desde a década de 1990. Investigadores mais céticos do caso de Miranda do Douro apontam precisamente este fator como razão para tratar os detalhes obtidos por hipnose com reserva, distinguindo-os do relato inicial, mais sóbrio, sobre a luz e o tempo perdido.
O caso de Miranda do Douro continua a ser referido em publicações portuguesas de ufologia como um dos relatos de abdução mais bem documentados do país, precisamente pela combinação pouco comum de marcas físicas relatadas, tempo perdido confirmado por terceiros e consistência do testemunho ao longo de décadas de entrevistas repetidas por diferentes investigadores.
CASO Nº0039
Não Resolvido
A Abdução de Miranda do Douro: o Relato de 1987
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