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CASO Nº0020 Em Investigação

Uma Noite no Forte de São João Baptista, na Berlenga

O Forte de São João Baptista, erguido no século XVII no arquipélago das Berlengas, ao largo de Peniche, é um dos locais mais procurados por equipas de investigação paranormal em Portugal, tanto pela sua história agitada — serviu sucessivamente como prisão, farol e alojamento para pescadores — como pela sua localização isolada, rodeada de mar em todas as direções, o que os investigadores consideram um fator relevante para o isolamento de eventuais fenómenos face a interferências externas.

Em setembro de 2022, uma equipa portuguesa de investigação paranormal, especializada em casos históricos, obteve autorização para passar uma noite completa no interior do forte, atualmente utilizado como alojamento sazonal, fora da época balnear. O objetivo era investigar relatos recorrentes, recolhidos junto de guardas florestais e antigos hóspedes, de passos ouvidos nos corredores durante a noite e de uma figura masculina, vestida com o que descrevem como um uniforme antigo, avistada ocasionalmente junto às ameias do forte ao anoitecer.

A equipa montou um conjunto de equipamento de deteção que incluía detetores de campo eletromagnético, câmaras de infravermelhos posicionadas nos principais corredores de circulação, e gravadores de áudio de alta sensibilidade distribuídos por diferentes divisões, com o objetivo de captar eventuais fenómenos de voz eletrónica (EVP). Durante as primeiras horas da noite, os detetores de campo eletromagnético registaram picos de atividade inexplicados numa das antigas celas do forte, coincidindo com relatos de dois membros da equipa de uma quebra súbita de temperatura na mesma divisão, sem qualquer fonte de corrente de ar identificável.

Por volta das três da madrugada, um dos gravadores posicionados no corredor principal captou, segundo análise posterior da equipa, um som que interpretam como uma voz masculina a pronunciar uma palavra ininteligível, num registo de frequência que os investigadores consideram incompatível com o vento ou com o som do mar, embora reconheçam que a proximidade do oceano dificulta significativamente a análise acústica rigorosa de qualquer gravação realizada no local.

O Forte de São João Baptista funciona atualmente como alojamento gerido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, disponível para reserva durante a época balnear, o que limita a possibilidade de investigações paranormais a períodos fora da época alta de visitantes, como aconteceu com a equipa em 2022. O arquipélago das Berlengas, classificado como reserva natural e integrado na rede de Reservas da Biosfera da UNESCO desde 2011, mantém um número reduzido de residentes permanentes fora da época balnear, o que segundo os investigadores facilita a monitorização de fenómenos ao reduzir significativamente possíveis fontes de interferência humana durante a noite.

O forte está historicamente associado à morte de vários prisioneiros durante o período em que funcionou como instalação penal, no século XIX, incluindo casos documentados de reclusos que não sobreviveram às condições adversas de isolamento e exposição às tempestades atlânticas que regularmente atingem o arquipélago. Esta história trágica é apontada por investigadores como possível origem simbólica dos fenómenos relatados, ainda que sem qualquer prova concreta que estabeleça uma ligação direta entre os eventos históricos e a atividade registada.

A investigação continua em curso, com a equipa a planear uma nova visita ao local em condições climatéricas diferentes, de forma a poder isolar com maior rigor os fenómenos captados da influência do vento e do mar — um dos maiores desafios metodológicos de qualquer investigação paranormal realizada num ambiente insular tão exposto como o das Berlengas.
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