Erguido numa pequena ilha rochosa no meio do rio Tejo, o Castelo de Almourol é um dos monumentos mais fotografados de Portugal e também um dos que reúne mais lendas à sua volta — entre elas, a persistente crença popular na existência de um túnel secreto que ligaria o castelo à margem do rio, permitindo fuga ou abastecimento em caso de cerco prolongado durante a época medieval. A lenda ganhou especial força a partir do romance histórico "Eurico, o Presbítero", de Alexandre Herculano, publicado em 1844, que ajudou a fixar Almourol no imaginário português como palco de intrigas e passagens secretas, ainda que sem qualquer base arqueológica confirmada na altura.
Ao longo do século XX, várias tentativas foram feitas para localizar fisicamente este suposto túnel. Nas décadas de 1940 e 1950, durante obras de restauro promovidas pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, os trabalhadores relataram ter identificado, na base da torre de menagem, uma abertura parcialmente obstruída por entulho que parecia descer na direção do leito do rio — um achado que nunca chegou a ser investigado até ao fim devido à dificuldade técnica de escavação numa estrutura classificada como monumento nacional, e que acabou por ser novamente selado por razões de segurança estrutural.
Em 1998, uma equipa de arqueólogos que realizava trabalhos de prospeção na ilha voltou a identificar sinais de uma possível estrutura subterrânea através de radar de penetração no solo, mas os resultados foram considerados inconclusivos devido à composição rochosa irregular da ilha, que dificulta a interpretação clara dos dados. Desde então, não foram autorizadas novas escavações no local, em parte devido ao estatuto de proteção patrimonial do castelo, que limita significativamente qualquer intervenção que possa comprometer a integridade da estrutura visível.
A lenda do túnel ganhou também uma camada adicional de mistério associada a relatos, recolhidos junto de pescadores locais ao longo de várias décadas, de terem avistado, em noites de baixa maré, uma abertura visível na rocha da base da ilha que desaparecia completamente com a subida das águas — um fenómeno que nunca foi documentado fotograficamente de forma conclusiva, mas que continua a alimentar a crença de que existe, de facto, alguma ligação subterrânea entre o castelo e o leito do rio.
O Castelo de Almourol, atualmente gerido pela Direção-Geral do Património Cultural, recebe todos os anos milhares de visitantes que atravessam de barco o pequeno troço de rio até à ilha, muitos deles atraídos precisamente pela combinação entre a beleza paisagística do local e o mistério persistente do túnel. Visitas guiadas organizadas pela autarquia de Vila Nova da Barquinha incluem hoje, de forma regular, referências à lenda como parte da narrativa histórica do monumento, ainda que sempre com a devida distinção entre património documentado e tradição oral por confirmar.
Historiadores mais céticos apontam que a construção de túneis subaquáticos seria tecnicamente inviável para a engenharia medieval portuguesa, e que os relatos de aberturas na rocha podem corresponder simplesmente a formações naturais de erosão fluvial, comuns nesta zona do Tejo. Ainda assim, a persistência da lenda ao longo de quase dois séculos, associada aos achados parciais das obras de restauro do século XX, mantém o mistério do túnel de Almourol como um dos casos por esclarecer mais discutidos entre investigadores de história e património portugueses.
CASO Nº0018
Não Resolvido
O Túnel Secreto do Castelo de Almourol
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