Na noite de 4 para 5 de agosto de 2019, dezenas de moradores da região de Seia, no coração da Serra da Estrela, reportaram ter avistado um conjunto de luzes de configuração incomum a deslocar-se lentamente sobre a serra, num fenómeno que ficou conhecido localmente como "a noite das luzes". Os relatos, recolhidos nos dias seguintes por associações de investigação ufológica portuguesas, descrevem entre cinco a sete pontos de luz alaranjada, dispostos em formação triangular, que terão permanecido visíveis durante um período estimado entre doze e dezoito minutos antes de desaparecerem subitamente, sem qualquer som associado.
Entre as dezenas de testemunhas, destaca-se o relato de um casal de pastores que se encontrava numa zona alta perto do Piornal, habituado a passar noites ao relento com o gado, e que descreveu as luzes como tendo um movimento "demasiado coordenado e silencioso para ser qualquer tipo de aeronave conhecida". Também um grupo de astrónomos amadores, que se encontrava na zona a fazer observação do céu precisamente devido às boas condições atmosféricas dessa noite, captou fotografias das luzes com equipamento de longa exposição — imagens que foram posteriormente analisadas por especialistas em fenómenos aéreos não identificados sem que se tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre a sua origem.
A Força Aérea Portuguesa, contactada na altura por órgãos de comunicação social regionais, negou a existência de qualquer exercício militar ou voo identificado na zona durante aquela noite. Também foi excluída a hipótese de tratar-se de lanternas chinesas, uma explicação comum para fenómenos semelhantes, dado o movimento coordenado e a distância estimada das luzes, calculada por triangulação a partir de diferentes pontos de observação em, pelo menos, dois quilómetros de altitude acima do solo — uma altura incompatível com a maioria dos objetos voadores de pequena escala.
Investigadores mais céticos apontam a possibilidade de se tratar de um fenómeno atmosférico raro relacionado com a ionização do ar em zonas de grande altitude, um fenómeno documentado ocasionalmente em serras europeias com características geológicas semelhantes à Serra da Estrela, rica em quartzo e granito — materiais que alguns estudos associam a fenómenos de luminescência natural em condições atmosféricas específicas, ainda que sem consenso científico estabelecido sobre esta explicação.
Portugal regista, em média, algumas dezenas de relatos de fenómenos aéreos não identificados por ano, segundo dados compilados por associações de investigação ufológica nacionais, ainda que a esmagadora maioria seja posteriormente explicada através de causas convencionais como drones, balões meteorológicos ou reentradas de detritos espaciais. O caso da Serra da Estrela destaca-se precisamente pela dificuldade em enquadrar o fenómeno em qualquer uma destas categorias habituais, o que levou a que fosse incluído entre os casos de referência da ufologia portuguesa da década, ao lado de outros episódios históricos registados noutras zonas montanhosas do país.
O caso permanece um dos mais bem documentados da ufologia portuguesa da última década, precisamente pelo número de testemunhas independentes e pela existência de registo fotográfico, ainda que a origem exata das luzes continue sem explicação definitiva. Associações de investigação ufológica portuguesas continuam a receber, esporadicamente, novos relatos de fenómenos semelhantes na mesma zona da serra, o que mantém vivo o interesse em torno deste caso.
CASO Nº0016
Não Resolvido
A Noite das Luzes sobre a Serra da Estrela
0 respostas
Ainda ninguém respondeu. Sê a primeira pessoa a comentar.
Entra para responder a este relato.