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CASO Nº0014 Em Investigação

O Caso da Quinta do Padre Ambrósio, em Trás-os-Montes

Nos arredores de Vinhais, no distrito de Bragança, existe uma propriedade rural conhecida localmente apenas como "a quinta do padre Ambrósio", associada desde a década de 1970 a um dos casos de alegada possessão mais discutidos no interior transmontano. A história começa com a família Ferreira, que adquiriu a propriedade em 1974, pouco depois da morte do anterior proprietário, um padre reformado que, segundo consta, teria realizado ali rituais de exorcismo não reconhecidos oficialmente pela diocese, a pedido de famílias da região que recorriam a ele em segredo.

Poucos meses depois de se mudarem para a quinta, os Ferreira começaram a notar comportamentos incomuns na filha mais nova, então com onze anos: episódios de fala em tons de voz que não correspondiam à sua idade, força física desproporcional durante crises que a família descrevia como "ataques", e um conhecimento aparente de factos privados sobre vizinhos que a criança não tinha forma de saber. A família, profundamente religiosa, procurou primeiro explicações médicas, sem que nenhum diagnóstico neurológico ou psiquiátrico explicasse de forma satisfatória o quadro.

Perante o agravamento da situação, a família contactou a diocese de Bragança-Miranda, que enviou um sacerdote para avaliar o caso segundo os critérios formais da Igreja Católica para autorização de um exorcismo — critérios que incluem a exclusão prévia de causas médicas e psicológicas. Segundo o testemunho posterior de um dos filhos mais velhos da família, hoje já falecido, terão sido realizadas pelo menos três sessões de oração de libertação na propriedade ao longo de 1975, após as quais os episódios cessaram por completo.

O processo formal de exorcismo dentro da Igreja Católica é regulado por normas específicas, atualizadas em 1999 através do Rituale Romanum revisto, que exigem a nomeação de um exorcista diocesano autorizado pelo bispo local e a exclusão rigorosa de causas psiquiátricas antes de qualquer intervenção espiritual ser considerada. A diocese de Bragança-Miranda, como a generalidade das dioceses portuguesas, mantém atualmente um exorcista nomeado para lidar com pedidos deste género, ainda que o número de casos formalmente reconhecidos e tornados públicos seja historicamente muito reduzido em Portugal, ao contrário do que acontece em países como o Brasil ou a Itália, onde estes processos têm maior visibilidade mediática.

O caso ganhou notoriedade local sobretudo depois de, décadas mais tarde, um novo proprietário da quinta ter relatado fenómenos semelhantes a investigadores paranormais que visitaram o local em 2016: objetos deslocados sem explicação, sensações súbitas de mal-estar ao entrar num dos quartos específicos da casa, e o registo, através de gravador digital, de uma voz grave e ininteligível durante uma sessão de EVP (Electronic Voice Phenomenon) conduzida no local.

Este segundo conjunto de fenómenos levou à abertura de uma investigação mais formal por parte de uma equipa independente de investigação paranormal, que continua a monitorizar o local com equipamento de deteção eletromagnética e câmaras de infravermelhos, sem que tenha sido possível, até à data, chegar a uma conclusão definitiva. A Igreja Católica, através da diocese, não voltou a intervir oficialmente no caso desde a década de 1970, remetendo qualquer nova avaliação para os critérios processuais em vigor para casos deste género, que exigem sempre a exclusão exaustiva de causas médicas antes de qualquer consideração de natureza espiritual. O caso permanece, por isso, classificado como em investigação no arquivo do Portugal Paranormal.
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