A crença em objetos amaldiçoados — itens específicos, como o espelho de Ponte de Lima já abordado noutro artigo desta categoria, associados a uma sucessão de infortúnios atribuída à sua simples posse ou presença — é um fenómeno psicológico bem estudado que atravessa praticamente todas as culturas humanas documentadas, e que psicólogos cognitivos explicam através de um conjunto específico de mecanismos mentais bem identificados, independentemente da veracidade última de qualquer caso individual concreto.
O mecanismo mais frequentemente citado é o já mencionado noutros artigos desta categoria "viés de confirmação": uma vez estabelecida a crença de que um objeto específico traz má sorte, a mente humana tende naturalmente a dar mais peso e atenção a acontecimentos negativos que ocorrem na sua presença, ao mesmo tempo que ignora ou esquece rapidamente os longos períodos em que nada de mal aconteceu, criando uma perceção distorcida e assimétrica da relação real entre a presença do objeto e os eventos negativos posteriormente associados a ele.
Um segundo mecanismo psicológico relevante é o chamado "raciocínio por contágio", estudado extensivamente pelo psicólogo Paul Rozin: a crença intuitiva, presente mesmo em pessoas que racionalmente a rejeitariam se questionadas diretamente, de que objetos que estiveram fisicamente próximos de eventos trágicos ou de pessoas moralmente questionáveis "absorvem" de alguma forma essa qualidade negativa, um princípio de pensamento mágico documentado transversalmente em experiências psicológicas realizadas em diferentes culturas e contextos, sugerindo tratar-se de um padrão cognitivo humano relativamente universal.
A narrativa em torno de objetos amaldiçoados cumpre também, segundo antropólogos que estudam este tipo de crença popular, uma função social e emocional importante: proporciona uma explicação causal tangível e concreta para sequências de má sorte genuinamente aleatórias e sem qualquer padrão real, o que muitas pessoas encontram psicologicamente mais reconfortante do que aceitar a natureza fundamentalmente caótica e imprevisível de muitos infortúnios da vida quotidiana, um conforto psicológico genuíno independentemente da validade objetiva da crença em si.
Esta categoria do Portugal Paranormal documenta casos de objetos com reputação amaldiçoada sempre com este enquadramento em mente, respeitando o significado emocional e cultural genuíno que estas crenças representam para quem as sustenta, sem nunca apresentar a explicação sobrenatural como facto estabelecido acima de explicações psicológicas alternativas bem documentadas.
CASO Nº0110
Não Resolvido
Porque Acreditamos em Objetos Amaldiçoados? A Psicologia por Trás da Crença
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